CRÓNICA: A todas as mulheres
DR O tempo muda tudo, sobretudo aquilo que nunca quisemos mudar nas nossas vidas. No início tudo era diferente. Foste entrando devagarinho, passo lento, para não me assustares. Mas conseguiste pressentir a minha sede de paixão e partiste à aventura. O teu corpo tinha tanta liberdade que pensavas conseguir voar com as minhas asas. Deixei, confesso, e durante anos, as minhas costas foram ficando curvadas, os meus olhos negros, o meu rosto marcado com a raiva que trazias nas mãos, o coração carregado de dor. Dizem que as mulheres perdoam tudo quando amam um homem. Mas podia aquilo ser amor? Fazes ideia de quantas vezes esbocei um sorriso aos nossos filhos para fingir que estava tudo bem? As marcas estavam cá e eles percebiam a mágoa que me deixavas em cada desavença. Ainda tentei medir o equilíbrio daquilo que sentia. Reprimi tudo como se eu própria fosse um objecto qualquer que não sente nada. E afinal, bastou um momento para me esquecer de novo e tu ataste-me com o teu ...